O que é Sociologia?

o-que-e-sociologia-2Você já se perguntou O que é Sociologia e o que ela pode fazer por você? Teve dúvidas quanto ao que ela estuda e o seu objetivo?

Se você já se fez estas perguntas, deve ter tido alguma dificuldade para respondê-las. Quando tentou procurar algo na internet, deve ter encontrado dois tipos de artigos: aqueles chatos academicistas que usam termos complicados e não foram feitos para a grande população e os excessivamente mastigados que pouco agregaram a sua vida.

Diante desta dificuldade de encontrar um bom material sobre O que é a Sociologia, decidi incluir esse texto nos meus artigos que estudam sobre as ciências humanas e os benefícios de conhecê-las.

Não é meu foco torná-lo um sociólogo em um artigo de pouco mais de 800 palavras, mas servir como um start, um pontapé inicial, do seu atual senso comum para a conscientização da realidade através desta disciplina.

Nas próximas linhas abordarei:

  • A Origem da Sociologia;
  • O Foco da Sociologia;
  • Os Benefícios do estudo da Sociologia.

A Origem da Sociologia

Podemos começar situando a Sociologia no eixo das Ciências Humanas (assim como a Filosofia, História, Economia, Jornalismo, etc) cujo objetivo essencial é estudar a condição existencial humana. Ela não é “exata” e carrega uma valiosa carga subjetiva, complexa e profunda que varia de acordo com o momento histórico-cultural em que vivemos e o ramo de estudo.

Dentro das Ciências Humanas temos outro grande guarda-chuva que chamamos de Ciências Sociais. Aqui temos ciências como Antropologia, Política, Relações Internacionais, Psicologia, Economia, entre outras tantas… Assim como a Sociologia. Os contornos das Ciências Humanas e das Ciências Sociais muitas vezes são tênues e em vários momentos se sobrepõe.

Um dos primeiros caras a estudar a Sociologia como ciência foi um árabe chamado Ibn Khaldun Muqaddimah no século XIV. Tudo começou quando ele se viu obrigado a se mudar devido a Diáspora Espanhola, que foi o momento histórico da retomada de Servilha pelos espanhóis e a expulsão dos árabes que ali residiam.

Ao observar como a guerra era contada pela perspectiva vitoriosa, argumentou em seus escritos sobre a importância de uma abordagem sistemática e crítica sobre conflitos em momentos de mudança social e de aplicação universal. Seus pensamentos influenciaram Filósofos nós séculos seguintes, principalmente Hegel, Hobbes, Locke e Comte.

Mas foi o Positivista Auguste Comte no século XIX quem realmente cunhou o termo Sociologia. Para ele, o comportamento social seguia padrões e o estudo dessas engrenagens poderia favorecer o progresso da sociedade. Já leu em algum lugar a frase “Ordem e Progresso”? Pois bem, o slogan da nossa nação carrega a influência desse pensador. Por sua vez influenciou aqueles a quem chamamos de pensadores clássicos da Sociologia: Emile Durkheim, Karl Marx e Max Weber. Abaixo um rápido comparativo entre eles (em outros artigos abordarei sobre cada um).

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O foco da Sociologia

A grande pergunta que a Sociologia procura responder é: como o ser humano se relaciona, dialoga e convive com seus semelhantes?

Sabemos que ser Humano é mais que comer e se reproduzir, é também trabalhar e se relacionar, produzir e consumir, construir e desconstruir normas/valores/crenças, através de complexos rituais sociais. Existir é fazer parte de tudo isso, seja pela ação ou omissão. A Sociologia, através de métodos científicos, procura compreender as relações sociais. A forma com a qual ela pesquisa essas relações varia de acordo com a linha teórica, mas tem como base comum o Estranhamento da Realidade.

Estranhar a realidade é olhar criticamente para o mundo a sua volta, questionando a “normalidade” dos eventos. É perguntar-se constantemente se um determinado acontecimento sempre foi assim, se deveria continuar sendo ou necessita de mudança. É olhar para o próximo com empatia, visando alcançar uma consciência crítica acerca dos relacionamentos sociais e desenvolver mecanismos de interações mais assertivas, permitindo assim que a sociedade altere favoravelmente seu curso sem que você mate o coleguinha no processo.

Os benefícios de estudar sociologia.

Uma sociedade que não se debruça sobre seus problemas é uma sociedade fadada ao colapso. É algo que não podemos relegar a terceiros, esperar passivamente que a solução seja tomada pelos nossos políticos, chefes, pais, etc. Terceirizar a responsabilidade que cabe a cada um é o primeiro passo para a perda de direitos, a abdicação da autonomia, liberdade. Tão pouco tomar uma decisão baseada em “achismos”, fundamentada em pensamentos pouco elaborados, movidos pela emoção ao invés da razão, tornam nossas escolhas enviesadas e nos levam novamente a um estado semelhante ao da escravidão: vivemos sem a capacidade de controlar nossas vidas.

Devemos, portanto, ser responsáveis pelas nossas ações e omissões como indivíduos inseridos num coletivo social.

E a Sociologia pode contribuir, juntamente com outros ciências sociais, para que você exerça a sua cidadania, transformando a suas ações em uma potencial fonte de mudança social progressista que leve a emancipação humana. Livre de controles inconscientes, manipuladores conscientes, menos intolerante e brutal em suas relações.

Em um mundo com aproximadamente 7 bilhões de seres humanos, muitos deles vivendo em situações degradantes, e a cada ano as fronteiras dos Estados se desmanchando com o alcance dos meios de comunicação, você ainda tem dúvidas sobre O que a Sociologia pode fazer por você e todos nós?

Conheça Mais!

A Fundação Getúlio Vargas tem um curso gratuito e online de 30h com certificado sobre Sociologia.

Caso você goste de ler e tenha interesse de se aprofundar no tema, recomendo o conteúdo básico da Sociologia para o ensino médio. Eu já li e trabalho com o “Sociologia para o Ensino Médio” e o “Sociologia em Movimento”.

Agora se você já tem um pouco mais de conhecimento e estudo, recomendo a leitura dos clássicos.

DURKHEIM, É. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

DURKHEIM, É. O Suicídio. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

MARX, K.; ENGELS, F. A Ideologia Alemã. São Paulo: Hucitec, 1996. MARX, K. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2006.

MARX, K. O Capital. São Paulo: Difel, v. I e II, 1987.

WEBER, M. Economia e Sociedade. Tradução, com revisão técnica de Gabriel Cohn. Brasília: Ed.Universidade de Brasília, v. 1, 1994. WEBER, M. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira.