Teorias da População no Pensamento Clássico

Você já se perguntou o que leva um político a tomar decisões que vão contra ao interesse da grande massa da população? Geralmente atendendo a uma pequena parcela a qual ele – costumeiramente – faz parte? Já pensou que pode fazer parte de Teorias da População e poderia ser diferente?

Eu me questionei durante muito tempo e depois que tive contato com a disciplina de Geografia da População percebi que é algo muito além de interesses egoístas levados a cabo pela classe dominante. É um verdadeiro projeto de controle populacional que, como vemos, vem sendo executado com esmero pelos nossos líderes. E eles não tiraram da cabeça deles, talvez as táticas sim, mas há todo um arcabouço teórico que embasa esta realidade na qual nós, brasileiros, vivemos.

Teorias da População no Pensamento Clássico

As teorias da população nascem num momento de mudanças sociais impactantes e acompanham o desenvolvimento de diversas disciplinas das ciências sociais, como a Sociologia, Antropologia, Economia e Psicologia. A forma de ver a sociedade estava impregnada com a realidade da pobreza, da falta de perspectiva e desesperança no que tange ao futuro das nações ante a fome e escassez de recursos.

É completamente compreensível dentro daquela realidade esperar que a elite burguesa logo encontrasse um teórico que falasse de acordo com suas expectativas e anseios. E é nesse cenário que surge…

Robert Malthus, pai do Malthusianismo

Para Thomas Robert Malthus, inglês nascido no século XVIII, viveu numa Inglaterra onde a revolução industrial borbulhava. Ele viu a grande massa de camponeses ser retirada de suas terras e se amontoarem nas cidades em condições precárias de subsistência. Aqueles que conseguiam trabalho se sujeitavam a 14, 18h de trabalho ininterrupto e apenas 20min de pausa para a refeição. Debruçou-se então a estudar uma solução para o problema da superpopulação e da dificuldade de alimentar este enorme contingente de seres humanos.

Criou então os postulados de que “o alimento é necessário à existência humana” e “a paixão entre os sexos é necessária e permanecerá aproximadamente em seu presente estado”. Uma vez que esses postulados foram tomados como verdadeiros, Malthus defendeu que o principal problema da equação estava na produção alimentar: enquanto a sociedade crescia geometricamente (2, 4, 8, 16), a produção alimentícia seguia aritmeticamente (2, 4, 6, 8). Para o autor, a sociedade dobraria em tamanho a cada 25 anos e usou os dados empíricos da realidade Americana para ilustrar seus cálculos de crescimento populacional.

Moralista, criticava também o modelo de gestão de bem-estar onde o Estado garantia uma distribuição de renda para a população: Malthus questionava com o benefício de distribuir renda se os pobres amorais gastariam tal verba com bebidas alcoólicas? E, além disso, uma maior renda das classes inferiores incitaria a reprodução em massa, aumentando a discrepância numérica entre produção alimentar e crescimento populacional.

Karl Marx e a teoria socialista do crescimento populacional

Na contramão do pensamento Malthusiano, Marx alertava para a propensão ao acúmulo de mercadorias na mão de poucos onde imperava sociedades capitalistas. Filósofo e Sociólogo nascido na Prússia, contemporâneo de Malthus, postulou uma teoria complexa sobre o fetiche da mercadoria, onde a importância de um produto se dá pela quantidade de outro produto que é necessário para se trocar, onde as relações se tornam objetificadas na medida em que o valor do esforço de trabalho passa a ser medido na capacidade de sua produção e o dinheiro assume, por fim, o caráter de dissimulação da importância social dos trabalhos, fazendo com que o capital tornar-se uma relação de dominação social.

Para Marx, o real valor se dá pelo trabalho, em uma relação Trabalho-Dinheiro-Trabalho, diferente do que se tornou (Dinheiro-Trabalho-Dinheiro) e, portanto, a raiz do problema capitalista está na valoração de práticas como usura e acumulação de lucro, fazendo com que o dinheiro fique na mão de poucos, caracterizando assim a mais-valia que é todo trabalho não pago exercido pelo proletariado.

E esse acúmulo agrava conforme o capital tecnológico substitui o capital orgânico (trabalhador), transformando grandes massas de seres humanos em desempregados e outros tantos em mão de obra barata, uma verdadeira legião de descartáveis em situações precárias.

Malthusianismo VS Socialismo

Através da análise dos dois teóricos podemos ver a divergência entre seus pontos de vistas. Enquanto Malthus culpava o pobre pelas suas desgraças e propunha formas de controle sobre seu aumento, Marx alertava para o sistema capitalista e sua relação insustentável de crescimento.

A história mostrou que Malthus estava errado: a população não dobrou de tamanho geometricamente como era previsto. A população, numa sociedade de bem-estar social, quando recebe melhores condições não aumenta sua prole como coelhos. É observado justamente o contrário, onde famílias passam a ter menos filhos e até mesmo nenhum, o que gera o envelhecimento da população e talvez no horizonte outro tipo de colapso.

Já Marx, sempre assertivo, previu com maestria o problema da acumulação de capital na mão de poucos e a relação insustentável que isso geraria. Hoje, 31 bilionários concentram mais da metade dos recursos do nosso planeta. Produzimos alimentação para alimentar 12 bilhões de pessoas, somos em pouco mais de 7, e mesmo assim 108 milhões passam fome no mundo.

Conclusão

Não sei você, mas eu vejo que o problema a ser resolvido em nossa sociedade moderna não é a capacidade de produção ou o crescimento desenfreado das sociedades, mas a distribuição de renda e recursos de forma mais igualitária. Podemos fechar nossos olhos e negar afinal fica fácil com comida no prato e TV de 50″ na sala, mas é inegável que devemos repensar em nossas teorias da população.

Para conhecer mais e tirar suas próprias conclusões, recomendo a leitura do texto que deu base para a criação desse artigo (DOWNLOAD).